Graha vem da raiz grah, “agarrar”. Um graha é aquilo que agarra: o que prende a atenção, marca o ritmo e deixa rasto no tempo de quem nasceu. A palavra costuma traduzir-se por “planeta”, mas não diz o mesmo. Os nove grahas incluem o Sol, que é uma estrela, a Lua, que é um satélite, e dois pontos que nem sequer são corpos.
Sete astros que se veem
Cinco deles são os planetas visíveis a olho nu, que os povos antigos viram deslocar-se entre as estrelas, uns mais depressa, outros mais devagar: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. Juntam-se o Sol e a Lua. São sete, e em sânscrito os sete dão nome aos dias da semana: Ravivāra ao Sol, o domingo, Somavāra à Lua, a segunda-feira, e assim por diante.
Urano, Neptuno e Plutão ficam de fora. A tradição não os conheceu, e o site segue a tradição.
| Graha | Astro | Dia | Anos de daśā | Tem para ensinar |
|---|---|---|---|---|
| Surya | Sol | domingo | 6 | propósito, identidade, autoridade interior |
| Chandra | Lua | segunda-feira | 10 | mente, emoções, cuidado |
| Mangala | Marte | terça-feira | 7 | energia, coragem, ação direta |
| Budha | Mercúrio | quarta-feira | 17 | linguagem, discernimento, aprendizagem |
| Guru | Júpiter | quinta-feira | 16 | sentido, ensino, generosidade |
| Shukra | Vénus | sexta-feira | 20 | afeto, beleza, gosto de viver |
| Shani | Saturno | sábado | 19 | tempo, disciplina, responsabilidade |
| Rahu | nodo norte | sem dia | 18 | desejo, ambição, o que é novo |
| Ketu | nodo sul | sem dia | 7 | desapego, intuição, o que se completa |
Os anos de daśā somam 120, o ciclo inteiro do sistema Vimśottarī. Ver As dashas.
Rahu e Ketu, dois pontos sem corpo
Os dois últimos não se veem, nem com telescópio. São os nodos lunares: os dois pontos onde a órbita da Lua cruza o plano por onde o Sol parece caminhar, a eclíptica. A órbita da Lua está inclinada cerca de 5° em relação a esse plano, e por isso os dois caminhos cruzam-se em dois lugares, sempre em lados opostos do céu, a 180° um do outro. Rahu é o nodo norte, Ketu o nodo sul.
Chamam-se também chāyā graha, “grahas de sombra”. Mesmo sem corpo, têm um efeito visível: os eclipses só acontecem quando o Sol e a Lua estão perto de um dos nodos. É por isso que, nas imagens da tradição, Rahu e Ketu “engolem” o Sol e a Lua.
Ao contrário dos outros grahas, os nodos recuam pelo zodíaco e dão a volta completa em cerca de 18 anos e meio. O site usa o nodo médio, que avança a um ritmo regular.
A história que a tradição conta é esta. Durante a agitação do oceano de leite, um asura bebeu o néctar da imortalidade, disfarçado de deus. O Sol e a Lua denunciaram-no e Viṣṇu cortou-lhe a cabeça. Como já tinha provado o néctar, a cabeça e o corpo continuaram vivos. A cabeça é Rahu, o corpo é Ketu.
A imagem já traz o ensinamento. Rahu, cabeça sem corpo, é o desejo que come e nunca se sacia: ambição, curiosidade, vontade de ter mais e de ir mais longe. Ketu, corpo sem cabeça, é a ação que já não pergunta o que ganha com isso: desapego, intuição, o que já está completo.
Os dois governam 25 dos 120 anos da daśā, 18 e 7. Dois pontos sem corpo ocupam, assim, mais de um quinto do ciclo.
Dois estilos de ensinar: saumya e krura
A tradição divide os grahas em dois estilos. Os saumya, “suaves”, ensinam pela facilidade, pelo gosto e pela abertura: Júpiter e Vénus. Os krūra, “severos” ou “exigentes”, ensinam pela tarefa, pelo tempo e pela falta: o Sol, Marte, Saturno, Rahu e Ketu. A Lua depende da fase, crescente ou minguante, e Mercúrio da companhia em que está.
Não se trata de bem e mal. Pense em dois professores. Um motiva com o elogio, o outro com o trabalho. Com o primeiro, aprende-se com gosto e ficam lacunas. Com o segundo, aprende-se muito e descansa-se pouco. Um mapa completo precisa dos dois.
É por isso que este site nunca diz que um graha é “mau”. Diz, quando é o caso, que a sua lição é exigente.
A força de um graha
Um graha trabalha melhor ou pior conforme o signo em que está. A tradição fala de dignidade. No signo de exaltação (ucca), o graha exprime com facilidade o melhor de si. No signo oposto, de debilitação (nīca), a mesma tarefa pede mais consciência. No seu próprio signo (svakṣetra), está em casa.
As sete exaltações são estas: o Sol em Mesha, a Lua em Vrishabha, Marte em Makara, Mercúrio em Kanya, Júpiter em Karka, Vénus em Mina e Saturno em Tula. Para Rahu e Ketu as fontes divergem, e por isso este artigo não lhes dá signo.
Um exemplo concreto. Saturno em Tula (Balança) trabalha com naturalidade a justiça e o equilíbrio. Em Mesha (Carneiro), signo que quer começar já, tem de aprender a ser paciente, e esse esforço é a sua lição.
Quatro perguntas para cada graha
Ao ler um graha no mapa, faça-lhe quatro perguntas.
- Em que signo está, e esse campo é amigo?
- Em que casa está, isto é, onde trabalha?
- Que casas rege, contadas a partir do Lagna?
- Está agora a reger uma daśā ou a transitar por um ponto sensível?
Cada graha tem a sua própria página, com ensinamento, mantra e orientação para a estação. Comece por aquele que rege a sua estação atual.
Para levar consigo
- Graha quer dizer “o que agarra”. São nove: sete astros visíveis (o Sol, a Lua e cinco planetas) e dois pontos sem corpo.
- Rahu e Ketu são os nodos da Lua, pontos de geometria que explicam os eclipses. Governam 25 dos 120 anos da daśā.
- Saumya e krūra descrevem estilos de ensinar, não o valor de ninguém. Pergunte a cada graha do mapa: o que é que me pede, e de que maneira?








