Um mapa de Jyotish tem muita informação, e isso tenta a começar por todo o lado. Aqui propõe-se o contrário: quatro passos, numa ordem que vai do mais estável ao mais móvel. Cada passo termina com uma pergunta e uma frase escrita pela própria mão.
Quem ainda não tem o mapa pode construí-lo em O seu roteiro. Pedem-se a data, a hora e o local de nascimento.
Antes de começar
A hora de nascimento conta. Sem ela, o site usa o meio-dia e não calcula o Lagna. A Lua, o nakshatra e a daśā continuam a aparecer, com uma margem: a Lua percorre cerca de 13° por dia, pelo que ao meio-dia pode estar a mais de 6° da posição real. Em cerca de um caso em cada quatro, o nakshatra seria o vizinho.
Se a hora é duvidosa, trate as datas das estações como aproximadas e leia o resto com a mesma folga.
Passo 1: o Lagna
O Lagna é o signo que subia no horizonte a leste no instante do nascimento. Muda cerca de duas em duas horas, e por isso pede a hora certa.
Nas casas por signo inteiro, o Lagna ocupa a primeira casa, o signo seguinte a segunda, e assim por diante. O resto do mapa organiza-se a partir daqui. Ver As doze casas.
O Lagna fala do modo de chegar à vida: o corpo, a postura com que se enfrenta o mundo. Procure duas coisas.
- O signo do Lagna e o seu regente. Lagna em Tula (Balança), por exemplo, tem Shukra (Vénus) por regente.
- A casa onde esse regente está.
Um exemplo. Lagna em Tula e Shukra na casa 10, que é Karka (Caranguejo): o modo de estar na vida, que procura equilíbrio e harmonia, exprime-se sobretudo no trabalho e na ação visível.
Pergunta: como me apresento ao mundo, e o que é que o mundo me pede em troca?
Exercício (5 minutos): escreva uma frase sobre o Lagna e outra sobre a casa do seu regente.
Passo 2: a Lua
Na Índia, quando alguém pergunta pelo rāśi, o signo, quer saber onde estava a Lua, e não o Sol. O Jyotish trata a Lua como a mente (manas): o humor, o que acalma, o que agita, o modo de reagir antes de pensar.
Procure o signo da Lua e a casa onde cai. Pode ainda ler o mapa a partir dela, como se fosse um segundo Lagna, o Candra Lagna. É assim que se leem os trânsitos: ver Gochara.
Pergunta: de que precisa a minha mente para ficar em paz?
Exercício (10 minutos): escreva três coisas que o acalmam e três que o agitam. Compare com a descrição do signo da Lua em Os doze rashis.
Passo 3: o nakshatra da Lua
A Lua está também num dos 27 nakshatras, e num dos seus quatro pāda (quartos). O nakshatra afina o que o signo só esboça. Dois mapas com a Lua em Karka podem ter temperamentos muito diferentes se um tem a Lua em Pushya e o outro em Ashlesha.
Tem ainda uma função prática. O regente do nakshatra é o graha com que a vida começou, e dele depende a primeira daśā.
Leia a página do seu nakshatra, que se encontra através de Os 27 nakshatras. Preste atenção à secção da sombra: costuma ser a parte que pede mais trabalho.
Pergunta: que qualidade da Lua é o meu ponto de partida?
Exercício (10 minutos): sublinhe na página uma frase que reconheça e outra que lhe soe estranha. As duas informam.
Passo 4: a dasha em curso
Os três primeiros passos descrevem a pessoa. O quarto descreve o tempo. A daśā é o calendário do mapa: a estação (mahādaśā) e o capítulo (antardaśā) em que se está agora. Ver As dashas.
Para o graha da estação e para o graha do capítulo, procure três coisas.
- A página de cada um em Os nove grahas.
- A casa onde está no mapa.
- As casas que rege, contadas a partir do Lagna.
A página de cada graha tem uma orientação própria para a estação e outra para o capítulo.
Pergunta: o que é que esta estação me pede? E este capítulo?
Exercício (10 minutos): escreva uma frase para a estação e outra para o capítulo, cada uma com um verbo no infinitivo.
Juntar os quatro numa frase
Complete o modelo com os seus dados.
Chego a esta fase com o Lagna em ___ e a Lua em ___, no nakshatra ___. Estou na estação de ___ e no capítulo de ___. Nos próximos meses, vou pôr a atenção em ___.
Um exemplo preenchido: “Chego a esta fase com o Lagna em Tula e a Lua em Karka, no nakshatra Pushya. Estou na estação de Shani e no capítulo de Budha. Nos próximos meses, vou pôr a atenção em acabar duas tarefas antigas, uma por semana.”
A última frase deve conter uma ação que caiba numa agenda. Se não cabe, é grande de mais, e convém cortá-la ao meio.
Quando não bate certo
Os textos de astrologia usam frases largas, e quase toda a gente se reconhece em frases largas. Por isso convém testar. Pegue em cada afirmação e procure um exemplo concreto da última semana. Se o encontra, fica. Se não, ponha de parte, sem culpa.
O mapa serve quem o consulta. Nunca decide por si.
Depois de ler o mapa, volte a Hoje e veja o que este dia pede, agora com o seu ponto de partida na mão.
Para levar consigo
- Quatro passos, por esta ordem: Lagna, Lua, nakshatra, daśā. Do mais estável ao mais móvel.
- Cada passo termina numa frase escrita por si. Ler sem escrever deixa quase tudo no ar.
- Teste cada afirmação com um exemplo da última semana. O que não resistir ao teste, deixe de lado.