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Roteiro da Luz
Azulejo de Shukra: Cavalo.

Graha

Shukra

शुक्रŚukraVénus

Vénus é o que atrai: o afeto, a beleza, o gosto e aquilo que se valoriza. Pede discernimento no prazer e coragem para estar em relação sem se perder.

Estação
20 anos
Dia
sexta-feira
Montada ou símbolo
Cavalo
Cor
branco brilhante

Śukra quer dizer “claro, brilhante” e é o nome do astro que se vê ao amanhecer e ao entardecer. Parāśara associa-lhe o vigor, vīrya (Bṛhat Parāśara Horā Śāstra 3.13). Na tradição é também Śukrācārya, o preceptor dos asuras, a quem se atribui o domínio das artes e da ciência de restituir a vida.

Vénus diz como se ama, o que parece belo e o que se aceita dar por conforto. Rege as relações íntimas, a arte, a música, o gosto, o prazer dos sentidos e o dinheiro entendido como meio de bem-estar. Na corte simbólica dos grahas serve de ministro a par de Júpiter, e a sua tarefa é a harmonia.

Vénus ensina a diferença entre o prazer que alimenta e o que apenas anestesia. Quando essa distinção se perde, o conforto passa a mandar na vida: a pessoa cede para evitar o conflito, compra para sossegar e confunde ser desejada com ser amada.

Rege Touro (Vṛṣabha) e Balança (Tulā), exalta-se em Peixes (Mīna), a 27°, e enfraquece em Virgem (Kanyā). O ponto de exaltação é revelador: em Peixes, o signo da entrega, o amor deixa de negociar. Mercúrio e Saturno são os seus amigos naturais; o Sol e a Lua são adversários. A sexta-feira é o seu dia.

O que rege

  • Amor e afeto
  • Relações íntimas e casamento
  • Beleza, arte e música
  • Prazer dos sentidos
  • Conforto e bens
  • Gosto e estética
  • Harmonia social

A dádiva

A capacidade de amar e de apreciar: encontrar beleza no que existe e criar laços em que as duas partes se enriquecem.

A sombra

Em desequilíbrio, Vénus faz do prazer uma fuga e do conforto uma condição para tudo. A pessoa compara-se com o que vê nos outros, mede o afeto pelo que recebe e deixa de saber o que realmente quer.

Quando a sua estação é de Shukra

Aprender a amar e a valorizar

Vinte anos em que as relações, o gosto e os valores ocupam o centro da vida. A questão de fundo é o que se considera valioso, com quem se partilha e a que preço. Quando essa resposta é clara, o prazer deixa de ser fuga e passa a ser alimento.

A cultivar

  • Dizer com clareza, a quem importa, o que se valoriza numa relação
  • Praticar uma arte com regularidade, mesmo que modesta: desenhar, cantar, cozinhar, tocar
  • Cuidar da beleza dos espaços onde se vive e trabalha, a começar por uma prateleira

A largar

  • Ceder em tudo para evitar o conflito
  • Procurar no consumo ou na aprovação dos outros a resposta a um vazio

Uma prática

Uma refeição com todos os sentidos

40 minutos, à sexta-feira ao fim do dia

À sexta-feira, ao fim do dia, ponha a mesa com cuidado, mesmo que seja para uma só pessoa: toalha limpa, uma flor ou uma folha, luz suave. Coma sem ecrãs nem leitura. A cada garfada, repare numa coisa: o cheiro, a textura, o sabor. No fim, agradeça em voz baixa a quem contribuiu para a refeição, de perto ou de longe.

O que é que valoriza ao ponto de não o trocar por conforto?

Mantra

ॐ शुक्राय नमः

Oṃ Śukrāya Namaḥ

Oṃ. Reverência a Śukra, Vénus.