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Roteiro da Luz

Ensinamentos · 5 minutos de leitura

Os doze rashis

Doze campos onde cada graha trabalha

Rāśi quer dizer “monte” ou “conjunto”. Cada rashi reúne 30° do caminho do Sol, e o zodíaco inteiro tem doze: 12 × 30° = 360°. A mesma palavra serve, na matemática indiana, para dizer “quantidade”.

Em português chamam-se signos. Os nomes ocidentais (Carneiro, Touro, Gémeos e os restantes) servem de ponte, mas o Jyotish mede os signos no zodíaco sideral, o que desloca cerca de 24° em relação à astrologia ocidental. Ver Sideral e tropical.

Cada signo é um campo

Na tradição, um signo é um kṣetra, “campo”. A imagem rende. Um campo tem solo, clima e dono. O graha que lá está é quem trabalha o campo, e o regente do signo é o seu dono.

  • Se o graha está no seu próprio campo (svakṣetra), trabalha em casa.
  • Se está no campo de um amigo, é bem recebido.
  • Se está no campo de alguém com quem tem pouca afinidade, trabalha com mais esforço.

Para ler um signo, pergunte então: que terreno é este? Quem o governa, e onde está esse regente no mapa? A segunda pergunta liga cada signo a outro lugar do mapa, e é essa teia que dá corpo à leitura.

Elemento e modalidade

Cada signo tem um elemento e uma modalidade. Os quatro elementos (tattva) dizem de que matéria é o terreno.

  • Fogo: Mesha, Simha, Dhanu. Ação, ardor, sentido.
  • Terra: Vrishabha, Kanya, Makara. Matéria, método, fruto.
  • Ar: Mithuna, Tula, Kumbha. Troca, relação, ideias.
  • Água: Karka, Vrishchika, Mina. Sentimento, fundo, entrega.

As três modalidades dizem o verbo do signo.

  • Móvel (cara) começa: Mesha, Karka, Tula, Makara.
  • Fixo (sthira) sustenta: Vrishabha, Simha, Vrishchika, Kumbha.
  • Duplo (dvisvabhāva) adapta e liga: Mithuna, Kanya, Dhanu, Mina.

Os dois eixos cruzam-se, e cada signo ocupa um lugar único nesta grelha. Fogo móvel é Mesha, o começo impetuoso. Fogo fixo é Simha, a chama que se mantém. Fogo duplo é Dhanu, a chama que procura sentido.

O Jyotish liga ainda os quatro elementos aos quatro propósitos da vida: dharma ao fogo, artha à terra, kāma ao ar, mokṣa à água. Ver As doze casas.

Os doze, um a um

Rashi Nome ocidental Elemento Modalidade Regente
Mesha Carneiro Fogo Móvel Mangala (Marte)
Vrishabha Touro Terra Fixo Shukra (Vénus)
Mithuna Gémeos Ar Duplo Budha (Mercúrio)
Karka Caranguejo Água Móvel Chandra (Lua)
Simha Leão Fogo Fixo Surya (Sol)
Kanya Virgem Terra Duplo Budha (Mercúrio)
Tula Balança Ar Móvel Shukra (Vénus)
Vrishchika Escorpião Água Fixo Mangala (Marte)
Dhanu Sagitário Fogo Duplo Guru (Júpiter)
Makara Capricórnio Terra Móvel Shani (Saturno)
Kumbha Aquário Ar Fixo Shani (Saturno)
Mina Peixes Água Duplo Guru (Júpiter)

Os regentes, em simetria

Sete grahas regem os doze signos. O Sol e a Lua regem um signo cada, Simha e Karka, que ficam lado a lado. Os outros cinco regem dois cada, e a distribuição tem uma simetria fácil de ver.

A partir do par Karka e Simha, para um lado e para o outro, os regentes seguem a ordem da distância ao Sol: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno. Mithuna e Kanya são de Mercúrio, Vrishabha e Tula de Vénus, Mesha e Vrishchika de Marte, Mina e Dhanu de Júpiter, Kumbha e Makara de Saturno.

Na leitura que este site segue, Rahu e Ketu não regem signos. Algumas escolas dão-lhes signos em regência partilhada, e é matéria de debate.

Signos que se olham

Os signos opostos, a 180° um do outro, formam seis eixos: Mesha e Tula, Vrishabha e Vrishchika, Mithuna e Dhanu, Karka e Makara, Simha e Kumbha, Kanya e Mina. Em cada eixo, os dois elementos completam-se, fogo com ar, terra com água. O que um campo oferece, o outro pede.

Há uma consequência prática. A casa 7, a das relações próximas, é sempre o signo oposto ao do Lagna. Quem tem o Lagna em Mesha, signo que age por instinto, encontra o outro em Tula, signo de equilíbrio e de conversa. O eixo mostra o que cada pessoa procura nos outros para se completar.

O mesmo signo em dois papéis

O mesmo signo comporta-se de maneira diferente conforme o lugar que ocupa. Como Lagna, descreve o corpo e a postura com que se chega à vida. Como signo da Lua, descreve o clima interior: aquilo de que a mente precisa para se sentir em casa.

Mesha como Lagna dá uma presença direta, que avança primeiro e explica depois. Mesha como signo da Lua dá uma mente que descansa quando há movimento e que se inquieta na espera. A página de cada rashi desenvolve os dois papéis.

Figuras que se leem de outra maneira

Alguns símbolos tradicionais diferem dos ocidentais. Kumbha é o próprio cântaro de água, e muitas imagens desenham só o vaso. Makara é uma criatura aquática que, conforme a fonte, aparece com feições de crocodilo e cauda de peixe. Mithuna é um casal. Ter isto em conta evita misturar as imagens de duas tradições que se parecem só à superfície.

Como usar

Escolha o signo do Lagna e o signo da Lua. Para cada um, escreva duas linhas: o que o campo oferece e o que o campo exige. Dez minutos bastam.

Depois, siga os regentes. Se o Lagna está em Kanya, o regente é Budha. Onde está Budha no mapa? É lá que o campo do Lagna é trabalhado todos os dias.

Para levar consigo

  1. Rashi é um “monte” de 30°. No Jyotish é um campo, com solo (elemento), verbo (modalidade) e dono (regente).
  2. O elemento diz a matéria, a modalidade diz o verbo, e o regente liga o signo ao resto do mapa.
  3. Para cada signo importante do seu mapa, escreva o que o campo oferece e o que exige.