Rāśi quer dizer “monte” ou “conjunto”. Cada rashi reúne 30° do caminho do Sol, e o zodíaco inteiro tem doze: 12 × 30° = 360°. A mesma palavra serve, na matemática indiana, para dizer “quantidade”.
Em português chamam-se signos. Os nomes ocidentais (Carneiro, Touro, Gémeos e os restantes) servem de ponte, mas o Jyotish mede os signos no zodíaco sideral, o que desloca cerca de 24° em relação à astrologia ocidental. Ver Sideral e tropical.
Cada signo é um campo
Na tradição, um signo é um kṣetra, “campo”. A imagem rende. Um campo tem solo, clima e dono. O graha que lá está é quem trabalha o campo, e o regente do signo é o seu dono.
- Se o graha está no seu próprio campo (svakṣetra), trabalha em casa.
- Se está no campo de um amigo, é bem recebido.
- Se está no campo de alguém com quem tem pouca afinidade, trabalha com mais esforço.
Para ler um signo, pergunte então: que terreno é este? Quem o governa, e onde está esse regente no mapa? A segunda pergunta liga cada signo a outro lugar do mapa, e é essa teia que dá corpo à leitura.
Elemento e modalidade
Cada signo tem um elemento e uma modalidade. Os quatro elementos (tattva) dizem de que matéria é o terreno.
- Fogo: Mesha, Simha, Dhanu. Ação, ardor, sentido.
- Terra: Vrishabha, Kanya, Makara. Matéria, método, fruto.
- Ar: Mithuna, Tula, Kumbha. Troca, relação, ideias.
- Água: Karka, Vrishchika, Mina. Sentimento, fundo, entrega.
As três modalidades dizem o verbo do signo.
- Móvel (cara) começa: Mesha, Karka, Tula, Makara.
- Fixo (sthira) sustenta: Vrishabha, Simha, Vrishchika, Kumbha.
- Duplo (dvisvabhāva) adapta e liga: Mithuna, Kanya, Dhanu, Mina.
Os dois eixos cruzam-se, e cada signo ocupa um lugar único nesta grelha. Fogo móvel é Mesha, o começo impetuoso. Fogo fixo é Simha, a chama que se mantém. Fogo duplo é Dhanu, a chama que procura sentido.
O Jyotish liga ainda os quatro elementos aos quatro propósitos da vida: dharma ao fogo, artha à terra, kāma ao ar, mokṣa à água. Ver As doze casas.
Os doze, um a um
| Rashi | Nome ocidental | Elemento | Modalidade | Regente |
|---|---|---|---|---|
| Mesha | Carneiro | Fogo | Móvel | Mangala (Marte) |
| Vrishabha | Touro | Terra | Fixo | Shukra (Vénus) |
| Mithuna | Gémeos | Ar | Duplo | Budha (Mercúrio) |
| Karka | Caranguejo | Água | Móvel | Chandra (Lua) |
| Simha | Leão | Fogo | Fixo | Surya (Sol) |
| Kanya | Virgem | Terra | Duplo | Budha (Mercúrio) |
| Tula | Balança | Ar | Móvel | Shukra (Vénus) |
| Vrishchika | Escorpião | Água | Fixo | Mangala (Marte) |
| Dhanu | Sagitário | Fogo | Duplo | Guru (Júpiter) |
| Makara | Capricórnio | Terra | Móvel | Shani (Saturno) |
| Kumbha | Aquário | Ar | Fixo | Shani (Saturno) |
| Mina | Peixes | Água | Duplo | Guru (Júpiter) |
Os regentes, em simetria
Sete grahas regem os doze signos. O Sol e a Lua regem um signo cada, Simha e Karka, que ficam lado a lado. Os outros cinco regem dois cada, e a distribuição tem uma simetria fácil de ver.
A partir do par Karka e Simha, para um lado e para o outro, os regentes seguem a ordem da distância ao Sol: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno. Mithuna e Kanya são de Mercúrio, Vrishabha e Tula de Vénus, Mesha e Vrishchika de Marte, Mina e Dhanu de Júpiter, Kumbha e Makara de Saturno.
Na leitura que este site segue, Rahu e Ketu não regem signos. Algumas escolas dão-lhes signos em regência partilhada, e é matéria de debate.
Signos que se olham
Os signos opostos, a 180° um do outro, formam seis eixos: Mesha e Tula, Vrishabha e Vrishchika, Mithuna e Dhanu, Karka e Makara, Simha e Kumbha, Kanya e Mina. Em cada eixo, os dois elementos completam-se, fogo com ar, terra com água. O que um campo oferece, o outro pede.
Há uma consequência prática. A casa 7, a das relações próximas, é sempre o signo oposto ao do Lagna. Quem tem o Lagna em Mesha, signo que age por instinto, encontra o outro em Tula, signo de equilíbrio e de conversa. O eixo mostra o que cada pessoa procura nos outros para se completar.
O mesmo signo em dois papéis
O mesmo signo comporta-se de maneira diferente conforme o lugar que ocupa. Como Lagna, descreve o corpo e a postura com que se chega à vida. Como signo da Lua, descreve o clima interior: aquilo de que a mente precisa para se sentir em casa.
Mesha como Lagna dá uma presença direta, que avança primeiro e explica depois. Mesha como signo da Lua dá uma mente que descansa quando há movimento e que se inquieta na espera. A página de cada rashi desenvolve os dois papéis.
Figuras que se leem de outra maneira
Alguns símbolos tradicionais diferem dos ocidentais. Kumbha é o próprio cântaro de água, e muitas imagens desenham só o vaso. Makara é uma criatura aquática que, conforme a fonte, aparece com feições de crocodilo e cauda de peixe. Mithuna é um casal. Ter isto em conta evita misturar as imagens de duas tradições que se parecem só à superfície.
Como usar
Escolha o signo do Lagna e o signo da Lua. Para cada um, escreva duas linhas: o que o campo oferece e o que o campo exige. Dez minutos bastam.
Depois, siga os regentes. Se o Lagna está em Kanya, o regente é Budha. Onde está Budha no mapa? É lá que o campo do Lagna é trabalhado todos os dias.
Para levar consigo
- Rashi é um “monte” de 30°. No Jyotish é um campo, com solo (elemento), verbo (modalidade) e dono (regente).
- O elemento diz a matéria, a modalidade diz o verbo, e o regente liga o signo ao resto do mapa.
- Para cada signo importante do seu mapa, escreva o que o campo oferece e o que exige.











